Shakespeare foi ignorado e às
vezes até ultrajado pelo neoclassicismo francês. Voltaire o considerava um
bárbaro desconhecido com raros clarões de energia primitiva, e Diderot o
reconhecia como grande escritor, mas
considerava sua obra amorfa. Shakespere foi iconoclasta e quebrou a doutrina
neoclássica da unidade. Os românticos espelhavam-se na ousadia do bardo e
misturavam o cômico e o trágico, introduzindo personagens grotescos no drama. O
teatro francês foi surpreendido com temas e personagens que não pertenciam à
esfera do sublime.
De nosso amor e loucura...
Alguns de nós, eu inclusive, já vimos acalentando a ideia de criar este blog. Fazemos, de certo, parte de um grupo que não se entende como apenas professor, pessoas que criam contos, crônicas, novelas e têm receios de expor suas produções. Somos loucos... loucos pelo ócio mais trabalhoso que existe: escrever Utilizamos as palavras de Clarice Lispector para definir nossa loucura... "Escrevemos porque somos desesperados e estamos cansados, não suportamos mais a rotina de nos ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, nós nos morreríamos simbolicamente todos os dias."
Mostrando postagens com marcador Josemilson Melo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Josemilson Melo. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Shakespeare e os Românticos Franceses
terça-feira, 22 de maio de 2012
Goethe na Itália
Quando
deparou com o Lago de Garda, lembrou-se de um verso de Verso de Virgílio e
afirmou que era "o primeiro verso latino cujo conteúdo se faz vivo" e,
quando visita a Sicília, afirma que naquele momento a Odisseia de Homero
tornava-se uma palavra viva para ele. O encontro com a antiguidade foi também
um renascimento pessoal do escritor, que afirmou "considero o dia que
cheguei a Roma como a data do meu segundo nascimento, de um verdadeiro
renascimento".
A
Itália proporcionou ao grande escritor germânico um reencontro com o
classicismo, além de uma excelente; isto e aquilo foram importantes na produção
literária posterior do escritor.
sábado, 21 de abril de 2012
Sobre Dante
Auerbach afirma que Dante,
autor da magistral obra poética "A divina comédia", foi praticamente
ignorado no barroco e no iluminismo, mas foi redescoberto pelos românticos.
Inicialmente pelo pré-romântico Vico e depois por Herder, escritor alemão que
sedimentou a mentalidade romântica. O ensaísta Auerbach chega mesmo a afirmar
que o filósofo iluminista Voltaire chegou a zombar do estilo dantesco, devido
aos exageros de sua linguagem. Semelhante a Homero, Dante escrevia também sobre
batalhas, sobre a belicosidade manifesta por grupos humanos; aliás, as guerras
entre etnias e países nos chegam pelos noticiários a todo momento. O grande
escritor italiano relata também o sofrimento humano no inferno, a meu ver,
solidificando estruturalmente a cultura religiosa cristã, que assemelha
inferno, castigo e culpa.
Diante do paradoxo
racionalidade e sensibilidade, temos que a grandiosidade de Dante é atemporal,
e mesmo não estando em evidência por um longo período, o escritor toscano foi
redescoberto pelos cultivadores da subjetividade e do sofrimento. O grande
representante das letras italianas chega ao século XXI como um criador
artístico de marca maior, encantando leitores e o mundo acadêmico.
abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Pax Romana
Erich
Auerbach, no seu livro Ensaios de
Literatura Ocidental, relata que
Virgílio, poeta do Império Romano, pregava que os povos ao redor do Império
teriam um destino sob a égide da Providência e apascentado pela pax romana,
isto é, sob o jugo do Império Romano. Segundo palavras do próprio Auerbach,
"Virgílio fora o poeta do Império Romano; substituíra o velho sentimento
patriótico romano, preso aos limites da cidade-estado e às virtudes do camponês
itálico, pela ideologia da missão universal de Roma". Bem se vê que
cânones da cultura ocidental desde há muito estão interligados ao exercício do
poder e desenvolvem pensamentos, conectando misticismo ou
religiosidade ou algo semelhante à belicosidade e outras esferas de ação que
consolidam o poder.
Transplantando
isso para nosso tempo, certamente encontraremos aqui mesmo em Pernambuco
setores ligados à expressão artística e literária com intimidade com o poder,
articulando ações práticas que possivelmente consolidam até possíveis abusos de
poder, mesmo que não tenham nem a glória nem o prestígio de um Virgílio.
Josemilson Melo
Abril de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Sobre Armstrong, Cortázar e Paris
Li
há alguns dias uma crônica de Cortázar sobre o grande Louis Armstrong. Ele se
apresentou em Paris nos anos 50, e Cortázar descreve maravilhado o que
presenciou. Sim, o mundo era outro. A Europa vivia um processo de
reestruturação pós-guerra, mas Paris continuava encantadora e cosmopolita, e a
cidade onde americanos do Sul e do Norte encontravam-se.
Mas,
e Armstrong? Armstrong permanece conosco, ainda nos dias de hoje, com uma
música que mostra a força de uma raça, de uma etnia e a grande capacidade criativa
de um povo, de um homem. A Europa, branca e preconceituosa, curvou-se à
criatividade, à sensibilidade, aos acordes estranhos executados por negros de
matriz africana.
Cortázar
viveu um momento único quando assistiu ao show de Louis e, extasiado, não se
conteve e documentou aquele momento mágico.
Cortázar
e Louis já não estão entre nós. Só nos resta ouvir a boa música de Louis e ler,
do outro, os magistrais livros.
Josemilson Melo
15 de março de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)

